O DOM DE PROFECIA ATRAVÉS DOS SÉCULOS
Entre os dons que o Espírito
de Deus pôs na igreja no princípio da era evangélica, achava-se o de profecia.
O ponto de vista mantido por alguns cristãos, de que a profecia chegou ao seu
termo com o Velho Testamento, é errôneo. O dom de profecia é mencionado na
enumeração dos dons do Espírito, os quais foram dados com o fim de promover e
finalizar a obra do evangelho: “Pelo que diz: Subindo ao alto levou cativo o
cativeiro, e deu dons aos homens. E Ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros
para profeta, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores.”
Efésios 4:8-11.
Notemos o tempo em que foram
concedidos esses dons: “Subindo ao alto.” Cristo conferiu-os à igreja quando a
deixou. Tinham o fim de continuar a obra que Ele começara. Isto se acha
expresso claramente, pois a passagem citada, continuando, explica o objetivo
dos dons: “Querendo o aperfeiçoamento dos santos, para a obra do ministério,
para a edificação do corpo de Cristo: até que todos cheguemos à unidade da fé,
e ao conhecimento do Filho de Deus, a varão perfeito, à medida da estatura
completa de Cristo.” Efésios 4:12-13
Este dom de profecia
manifestou-se efetivamente na igreja apostólica, e da passagem citada, de
Efésios, ressalta que deveria ser manifesto até ao fim.
O dom de profecia acha-se
entre os mais importantes dons do Espírito, sendo o segundo na ordem de
importância. “E a uns pôs Deus na igreja, primeiramente apóstolos, em segundo
lugar profetas, em terceiro doutores, depois milagres, depois dons de curar,
socorros, governos, variedades de línguas.” I Coríntios 12:28
Nesta passagem são os dons
dispostos na ordem de sua importância. O mais importante de todos é o do
apostolado. O segundo é o de profecia. O terceiro, o de ensinar. O apostolado,
a profecia e o ensinar são mais importantes do que a operação de milagres, a
cura de doentes ou o dom de línguas. Maior do que todos os dons, com exceção do
apostolado, é o de profecia.
Essas mensagens que vêm de
Deus, por intermédio do dom de profecia, são autorizadas e infalíveis. Não se
conclua, no entanto, que o profeta ou profetisa seja, em pessoa, infalível. Não
é isto o que quer dizer. Os profetas são falíveis seres humanos. A Bíblia
registra os erros por eles praticados. Não é o instrumento usado por Deus, o
que é infalível, mas sim as mensagens que Deus por ele envia. Essas mensagens,
provindas de Deus, são ipso facto,
autorizadas e infalíveis.
A
legítima Sucessão
Há uma legítima sucessão
através da qual a verdade vem de Deus, e unicamente quando vem por tal sucessão
é que é infalível. Ei-la, exposta nesta passagem: “Revelação de Jesus Cristo, a
qual Deus Lhe deu, para mostrar aos Seus servos as coisas que brevemente devem
acontecer: e pelo Seu anjo as enviou, e as notificou a João Seu servo: o qual
testificou a Palavra de Deus.” Apocalípse 1:1-2.
Eis aí a genuína sucessão: A
verdade origina-se em Deus, que a transmite a Jesus Cristo, e Este ao “Seu
anjo,” o qual a leva aos que têm o dom de profecia, representados neste caso
por João; este, por sua vez, a comunica às igrejas. Deus, Cristo, “Seu anjo,” o
dom de profecia, o povo de Deus - assim é que a verdade se comunica, infalível,
de Deus para o homem. E quando vem deste modo, é ela autorizada e infalível voz
de Deus à Sua igreja.
As mensagens que vêm através
do dom de profecia, quer faladas quer escritas, denominam-se “testemunhos.”
Note-se a expressão de Apocalípse 22:16. “Eu, Jesus, enviei o Um anjo, para vos
testificar estas coisas nas igrejas.” Uma coisa que se testifica, é “testemunho.”
O anjo Gabriel testifica a verdade ao que tem o dom de profecia, e o profeta
testifica a mesma verdade às igrejas. Logo, isso que o profeta recebe mediante
seu dom, são “testemunhos para a igreja.”
O benefício de ler e estudar
esses testemunhos acha-se plenamente exposto em várias partes da Bíblia.
Para exemplo, note-se quantas
vezes é empregado esse têrmo em um só capítulo da Bíblia: Salmo 119:2,
14,24,31,36,46,59,79,88,95,99,111,119,129,138,144,146,152,167e 168.
As instruções dadas ao
profeta pelo anjo Gabriel para benefício da igreja, são comunicadas por meio de
visões e sonhos. “Se entre vós houver profeta, em visão a ele Me farei
conhecer, ou em sonhos falarei com ele.” Números 12:6. “Em sonho ou em visão de
noite, quando cai sono profundo sobre os homens, e adormecem na cama, então
abre os ouvidos dos homens e lhes sela a sua instrução.” Jó 33:15-16.
Há hoje quem desconfie das
visões e sonhos como meio de compreender-se a vontade de Deus; deve-se, no
entanto, lembrar que foi este o método empregado por Deus para comunicar
instruções aos Seus antigos profetas. Foi o método pelo qual Deus comunicou as
instruções contidas nesses dois grandes livros proféticos que são Daniel e
Apocalípse. Ninguém cogita em pôr em dúvida as instruções encerradas nesses livros.
Satanás, naturalmente,
falsifica este dom, assim como todas as demais verdades, e desta maneira há
falsos sonhos e visões. Deus nos deu, porém, como veremos, instruções pelas
quais se pode distinguir o falso do verdadeiro.
Há nas Escrituras muitas passagens
acerca do valor e benefício do dom de profecia: “O Senhor por meio dum profeta
fez subir a Israel do Egito, e por um profeta foi ele guardado.” Oséias 12:13.
“Crede no Senhor vosso Deus e estareis seguros; crede nos Seus profetas, e
sereis prosperados.” II Crônicas 20:20. “Não havendo profecia, o povo se
corrompe; mas o que guarda a lei esse é bem-aventurado.” Provérbios 29:18.
Relação
Entre a Lei de Deus e os Profetas
Na Bíblia a posse do dom de
profecia se acha sempre ligada à obediência à Lei de Deus, de maneira que Lei e
profetas se acham ìntimamente unidos. Assim, quando Jeremias lamentou a queda
de Jerusalém, clamou: “Abateram as suas portas, Êle destruiu e quebrou os seus
ferrolhos: o seu rei e os seus príncipes estão entre as nações onde não há Lei,
nem acham visão alguma do Senhor os Seus profetas.” Lamentações 2:9. Note-se
que nessa passagem se acham estreitamente ligadas a Lei e a posse do dom de
profecia. Esta mesma conexão aparece nos escritos de Ezequiel: “Miséria sobre
miséria virá, e se levantará rumor sobre rumor: então buscarão do profeta uma
visão, mas do sacerdote perecerá a Lei e dos anciãos o conselho.” Ezequiel
7:26.
Quando os anciãos dos filhos
de Israel vieram consultar o profeta, na esperança de receber o benefício das
instruções do dom de profecia, o Senhor falou-lhes, por meio do profeta,
dizendo: “Acaso sois vós vindos a consultar-me? Pela Minha vida diz o Senhor
Jeová, não Me deixarei ser consultado de vós.” Ezequiel 20:3. Em seguida dá Êle
a razão porque não lhes dá de falar e dar-lhes instruções por intermédio do dom
de profecia. E entre as razões enuncia as seguintes: “E os tirei da terra do
Egito, e os levei ao deserto. E dei-lhes os Meus estatutos, e lhes mostrei os
Meus juízos, os quais, cumprindo-os o homem, viverá por eles. E também lhes dei
os Meus sábados, para que servissem de sinal entre Mim e eles: para que
soubessem que Eu sou o Senhor que os santifica. Mas a casa de Israel se rebelou
contra Mim no deserto, não andando nos Meus estatutos, e rejeitando os Meus
juízos; ... e profanaram grandemente os Meus sábados.” Ezequiel 20:11-13.
Daí ressalta claro que entre
as razões por que Deus não mais lhes queria dar instruções pelo dom de profecia,
achava-se a violação de Sua Lei; e menciona especialmente a profanação de Seus
sábados. A importância desta razão é acentuada pela repetição: “Mas disse Eu a
seus filhos no deserto: Não andeis nos estatutos de vossos pais, nem guardeis
os seus juízos, nem vos contamineis com os seus ídolos. Eu sou o Senhor vosso
Deus; andai nos Meus estatutos, e guardai os Meus juízos, e executai-os. E
santificai os Meus sábados, e servirão de sinal entre Mim e vós, para que
saibais que Eu sou o Senhor vosso Deus. Mas também os filhos se rebelaram
contra Mim, e não andaram nos Meus estatutos, nem guardaram os Meus juízos; ...
êles profanaram os Meus sábados. Ezequiel 20:18-21.
A ligação entre a obediência
à Lei (e especialmente a observância do sábado), e a posse do dom de profecia
torna-se muito clara nesta passagem. A mesma ligação se vê, ainda, no texto de
Provérbios, já citado: “Não havendo profecia, o povo se corrompe; mas o que
guarda a Lei esse é bem-aventurado.” Provérbios 29:18.
Vê-se, ainda, nos escritos de
Isaías: “à Lei e ao Testemunho (o dom de profecia)
se eles não falarem segundo esta palavra, nunca verão a alva.’ Isaias 8:20.
Os escritos do Nôvo
Testamento também revelam esta mesma conexão entre a Lei e o dom de Profecia. Ocorrem muitas vezes, em o
Nôvo Testamento, as palavras: “A lei e os profetas.”- “Não cuideis que vim
destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar, mas cumprir.”Mateus 5:17.
Porque
Foi Removido o Dom
Estas passagens lançam muita
luz sobre a razão por que o dom de profecia não se tem manifestado nas igrejas
depois do tempo de Cristo. A obediência à Lei de Deus e a posse do dom de Profecia
acham-se tão ligadas, que quando a igreja deliberadamente abandona a Lei de
Deus, o dom de profecia é removido do seu meio.
A igreja nos dias dos
apóstolos guardava todos os Dez Mandamentos, inclusive o do sábado. Possuía ela
o dom de profecia, como foi demonstrado. Depois dos dias dos apóstolos
introduziu-se a apostasia; foram rejeitados os mandamentos de Deus, o quarto
mandamento foi removido de seu lugar no coração da Lei, sendo o verdadeiro
sábado, que é o sétimo dia da semana, substituído por um sábado falso. O
domingo tomou o lugar do sábado. E o dom de profecia foi removido da igreja.
O Dom
Será Restaurado
Assim sendo, seria razoável
esperar que quando, nos últimos dias, se erguesse uma igreja que guardasse
todos os mandamentos de Deus, restituindo ao sábado o seu legítimo lugar ao
âmago da Lei divina, Deus restauraria a esse igreja o dom de profecia.
Deus predisse claramente,
numa das profecias da Bíblia, que aos fiéis observadores de Seus mandamentos,
nos últimos dias, havia de restaurar o dom de profecia. Atendamos bem para esta
predição: “O dragão irou-se contra a mulher, e foi fazer guerra ao resto da sua
semente, os que guardam os Mandamentos
de Deus, e têm Testemunho de
Jesus Cristo.” Apocalípse 12:17.
O “dragão” é Satanás; a
“mulher” é símbolo da igreja de Cristo; o “resto de sua semente” significa a
última igreja, a igreja do tempo da segunda vinda de Cristo. Êsse versículo
prediz o grande conflito final entre o diabo e o povo de Deus. Essa última
igreja destacar-se-ia por dois característicos principais: havia de guardar os Mandamentos
de Deus, e ter o Testemunho de Jesus Cristo (o espírito profético).
O que é esse Testemunho de Jesus Cristo, torna-se claro por outro versículo:
“Eu lancei-me a seus pés para o adorar; mas ele disse-me: Olha não faças tal;
sou teu conservo, e de teus irmãos, que têm
testemunho de Jesus:
adora a Deus; porque o testemunho de
Jesus é o Espírito de Profecia.” Apocalípse 19:10.
Restituído
à Igreja Remanescente
Conforme esta predição, de
que a última igreja de Cristo na Terra terá esses dois característicos:
observância dos Mandamentos de Deus, e posse do dom de Profecia, os que desejam
encontrar essa última e verdadeira igreja deverão buscar uma corporação de
pessoas que observe todos os Mandamentos de Deus e seja guiada por instruções
recebidas mediante o dom de Profecia. Se guardarem os Mandamentos de Deus serão
observadores do sábado, pois igreja alguma que observe apenas nove dos Dez
Mandamentos poderia ser denominada uma igreja observadora dos mandamentos. Ùnicamente à que guarda todos eles, inclusive
o quarto, ou do sábado, poderá com propriedade dar-se esse título. Qualquer
igreja que viole um dos Dez Mandamentos, é forçosamente transgressora dos
mandamentos (ver Tiago 2:10-12).
Essa última igreja, que
guarda todos os Mandamentos de Deus, possuirá também o dom de Profecia.
Na Bíblia Deus adverte o Seu
povo contra falsos profetas, que surgiriam nos últimos dias. Isto não quer
dizer, entretanto, que se devem rejeitar dos os que reivindiquem a posse do dom
de profecia, pois é-nos dito também: “Não desprezeis as profecias.” A
advertência é ùnicamente contra os “falsos” profetas.
Provas
que Podem Ser Aplicadas
Se só devem ser rejeitados os
falsos profetas, deve a Bíblia dar instruções pelas quais o povo de Deus possa
saber como distinguir as falsas das verdadeiras manifestações do dom de Profecia.
Uma das provas do verdadeiro dom de Profecia encontra-se no livro de Números: “Alçou
a sua parábola, e disse: Fala Balaão, filho de Beor, e fala o homem de olhos
abertos: fala aquêle que ouviu os ditos de Deus, o que vê a visão do
Todo-Poderoso, caindo em êxtase e de olhos abertos.” Números 24:3-4
Eis aí a descrição de um
profeta em visão. Enquanto se achava nesse estado, ouvindo as palavras de Deus,
tinha ele os olhos abertos. Esta é uma das provas do legítimo dom de
profecia.
Outras provas se encontram
nos escritos de Daniel: “E só eu, Daniel, vi aquela visão: os homens
que estavam comigo não a viram: não obstante, caiu sobre eles um grande temor,
e fugiram, escondendo-se. Fiquei pois eu só, e vi esta grande visão, e não
ficou força em mim: e transformou-se em
mim a minha formosura em desmaio, e não retive força alguma.” Daniel 10:7-8.
A segunda prova do genuíno dom de profecia é, pois, não terem os que se acham em
verdadeira visão, a princípio, nenhuma força sua própria. Mas não
permanecem neste estado. Mais tarde recebem fôrça sobrenatural.
A terceira prova é não ter fôlego o profeta verdadeiro, quando em visão: “Eis que um
que tinha a semelhança dos filhos dos homens me tocou os lábios: então abri a
minha boca, e falei, e disse ao que estava em pé diante de mim: Meu Senhor, por
causa da visão apoderam-se de mim as minhas dores, e não retenho fôrça alguma.
Pois como pode o servo do meu Senhor falar com o meu Senhor? porque quanto a
mim, logo não ficou em mim fôrça alguma, e não me foi deixado fôlego.”
Daniel 10:16-17.
Como vemos, quando em visão
têm os profetas os olhos abertos. Vai-se-lhes toda a fôrça natural. E não têm
fôlego. Em seguida (e esta é a quarta
prova), uma fôrça
sobrenatural substitui a fôrça natural que lhes foi tirada: “Então tornou a me
tocar um que tinha a aparência dum homem, e me confortou. Disse: “Não tenhas
medo, homem muito amado; paz seja contigo – esforça-te, sim, esforça-te. Quanto
ele me falou, fique fortalecido, e disse: Fala, meu Senhor, porque
me confortaste.” Daniel 10:18-19.
Estas quatro provas de autenticidade do dom de
profecia: olhos abertos, falta
de fôrça natural, ausência de fôlego, e em seguida fôrça
sobrenatural – estas quatro provas, dizíamos, Deus não permitirá sejam satisfeitas por um profeta falso.
*Uma delas é mesmo
completamente impossível imitar: a ausência de fôlego. Que aquêle que pretende
possuir o dom de profecia, o demonstre cessando de respirar quando em visão.
A profecia de que Deus
restauraria, ao Seu povo remanescente, o dom de profecia, cumpriu-se exatamente
como expostos nos testes de veracidade considerados, através da Sra. Ellen G.
White, profeta, na melhor acepção da palavra, serva de Deus, da Igreja
Adventista do Sétimo Dia, com as últimas mensagens para o mundo agonizante dos
dias finais. Conheça e teste essas
profecias.
Enviou Êle Sua mensagem ao
mundo para tirar um povo das trevas e conduzi-lo à luz, e exatamente como tirou
os israelitas do Egito e os levou à terra prometida, mediante o dom de
profecia, assim está Êle hoje tirando o Seu povo remanescente de Babilônia e
guiando-o para a terra da promissão, que é a Nova Terra. E de novo o está
fazendo mediante o dom de Profecia.
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