A HISTÓRIA POLÍTICA E RELIGIOSA DO MUNDO
Aproximamo-nos do grande dia de Deus. As decisões da eternidade enfrentam-nos. Terá logo expirado o tempo da graça, quando não haverá mais misericórdia. Jesus voltará em breve. Prometeu-o Deus e assim há de ser. O dia do Senhor não é um objeto incerto, num remoto futuro; mas esta perto, às portas. A história das nações e a sequencia de impérios, em ordem consecutiva, foram na Palavra de Deus delineadas até ao fim. Aí o estudante, começando com seiscentos anos antes de Cristo, é levado, passo a passo, de reino a reino, de acontecimento a acontecimento, até às cenas finais da história dêste mundo.
Devemos estudar a Palavra profética. Deus diz: “Temos mais segura a palavra dos profetas, à qual fazeis bem de atender, como a uma candeia que alumia num lugar escuro, até que o dia esclareça e a estrêla da alva surja nos vossos corações.” II S Pedro 1:19. Essa palavra dos profetas foi-nos dada para que saibamos em que ponto da história do mundo estamos vivendo. Foi-nos dada como uma luz a indicar o breve alvorecer do dia de Deus.
A Bíblia apresenta-nos muitos interessantes conjuntos de profecia. Todos êles são importantes. Um dêles encontra-se em Daniel, capítulo sete. Disse Jesus: “Quando, pois, virdes a abominação da desolação, predita pelo profeta Daniel, estabelecida no lugar santo (quem lê entenda).” S Mateus 24;15. Examinemos, pois, ligeiramente êsse capítulo e notemos os marcos que se estendem através dos séculos, indicando-nos o caminho da santa cidade de Deus. Para benefício de nossos leitores transcrevemos aqui todo o capítulo. Faremos algumas explanações, mostrando o cumprimento dessa interessante profecia. Estudemo-lo com oração, e notemos como a história cumpre as predições de Deus.
Versículos 1-3. “No primeiro ano de
Belsazar, rei de Babilônia, teve Daniel, na sua cama, um sonho e visões da sua
cabeça: escreveu logo o sonho, e relatou
a suma das coisas. Falou Daniel, e disse: Eu estava olhando, na minha visão da
noite, e eis que os quatro ventos do céu combatiam no mar grande. E quatro
animais grandes, diferentes uns dos outros, subiam do mar.”
Os quatro animais vistos pelo profeta são símbolos de
quatro reinos que deveriam surgir, como diz o versículo 17, que assim reza:
“Estes grandes animais, que são quatro, são quatro reis, que se levantarão da
Terra.” E para mostrar que eles não representam meramente reis, mas sim reinos,
diz o anjo, no versículo 23: “O quarto animal será o quarto reino na
Terra.” Ventos denotam lugas, comoções
políticas e guerra. (Jeremias 25-32 e 33) Mar ou águas simbolizam povos e
nações. (Apocalípse 17:15.)
V. 4 “O primeiro era como
leão, e tinha asas de águia: eu olhei até que lhe foram arrancadas as asas e
foi levantado da Terra, e pôsto em pé como um homem, e foi-lhe dado um coração
de homem.”
Babilônia é aqui
apropriadamente representada por um leão, o rei dos animais, denotando a glória
daquele reino. As asas de águia representam a rapidez de suas conquistas e o
grande orgulho de seus monarcas. (Habacuque 1:1 a 8)
O
arrancar das asas pode referir-se à humilhação do orgulhoso monarca de
Babilônia (Daniel 4:31-), ou à sua covardia de Belsazar que em vez de atacar e enxotar o inimigo como um leão,
fechou-se na cidade, banqueteando-se e
embebedando-se com os seus grandes, até ser morto, e dado seu reino aos
Medos e Persas. (Daniel 5:1-31.)
V.5. “Continuei olhando, e eis aquí o segundo animal,
semelhante a um urso, o qual se levantou de um lado, tendo na bôca três
costelas entre os seus dentes; e foi-lhe dito assim: Levanta-te, devora muita
carne.”
O
urso representa o reino medo-persa, que sucedeu à Babilônia, em 538 ªC. Foi um
reino notável por sua crueldade e sêde de sangue. As três costelas na bôca
dêsse urso simbolizam evidentemente as três grandes potências conquistadas pelo
reino medo-persa, a saber: Babilônia, Lídia e Egito. A Média-Persia submeteu
muitos populosos reinos. Assuero, ou Artaxerxes, reinou sôbre cento e vinte e
sete províncias. (Ester 1:1)
V.6 “Depois disto, eu continuei olhando, e eis aqui outro
animal, semelhante a um leopardo, e tinha quatro asas de ave nas suas costas:
tinha também este animal quatro cabeças, e foi-lhe dado domínio.”
O
leopardo é simbolo da Grécia, que submeteu a Média-Pérsia em 331 ªC. As quatro
asas denotam a rapidez de suas conquistas, sob o domínio de Alexandre. O
império grego só manteve sua unidade durante a vida de Alexandre. Ao terminar
êste sua brilhante carreira, em uma morte repentina, foi o império dividido
entre seus quatro principais generais, representados pelas quatro cabaças do
leopardo. Cassandro ficou com a Maceônia e a Grécia, ao ocidente; Lisímaco
ficou com a Trácia e as regiões asiáticas no Helesponto e Bósforo; a
Ptolomeu coube o Egito, a Lídia, a
Arábia, a Palestina e a Cele-Síria, ao sul; e Seleuco obteve a Síria e o resto
dos domínios alexandrinos no Oriente.
V. 7 “Depois disto, eu continuava olhando nas visões da
noite, e eis aqui o quarto animal, terrível e espantoso, e muito forte, o qual
tinha dentes grandes de ferro; êle devorava e fazia em pedaço, e pisava aos pés
o que sobejava; era diferente de todos os animais que apareceram antes dêle, e
tinha dez pontas.”
O
quarto animal representa o império romano, que conquistou a Grécia em 168 ªC. O
acréscimo de cabeças, asas ou pontas, qualquer fera encontrada na Natureza, não
bastaria para torná-la um símbolo apropriado dêsse poder. Êsse quarto animal
era diferente de todos os outros, de aspecto indescritível, diverso de qualquer
animal existente.
V.8 “Estando eu considerando as pontas, eis que entre
elas subiu outra ponta pequena, diante da qual três das pontas primeiras foram
arrancadas; e eis que nesta ponta havia olhos, como olhos de homem, e uma bôca
que falava grandiosamente.”
O
profeta observou as dez pontas. Essas representam as dez partes nas quais foi
dividido o Império Romano, entre os anos 351 e 476 ªD. , vindo a pertencer aos
povos seguintes: 1-Alemanos, 2-Francos, 3-Burgundos, 4-Vândalos, 5-Suevos, 6-Visigodos, 7-Saxões,
8-Ostrogodos, 9-Lombardos, 10-Hérulos. Viu Daniel uma pequena ponta abrindo
caminho por entre as dez, e arrancar três delas. Essa ponta, pequena a
princípio, mas depois mais forte que suas companheiras, representa o papado,
que se viu plenamente estabelecido em 538 ªD. Os reinos “arrancados” para lhe
dar lugar foram os Hérulos, os Vândalos e os Ostrogodos.
V. 9 e 10 “Eu continuei olhando, até que foram postos uns
tronos, e um Ancião de Dias se assentou:
o Seu vestido era branco como a neve e o cabelo de Sua cabeça como a
limpa lâ; o Seu trono chamas de fogo, e
as rodas dêle fogo ardente. Um rio de fogo manava e saía de diante Dêle:
milhares de milhares O serviam, e milhões de milhões estavam diante Dêle:
assentou-se o juízo, e abriram-se os livros.”
Essas palavras referem-se em têrmos claros ao juízo. O
Ancião de Dias, Deus o Pai, assume o trono do juízo. Os que se acham em Sua
presença, servindo-O, não são homens, mas anjos. (Daniel 7:10, Apocalípse 5:11)
Daniel descreve o princípio do julgamento dos justos, o qual ocorre no Céu
anteriormente à volta do Senhor a este mundo para ressuscitá-los dos mortos. O
Pai preside à cena, como juiz. Os anjos de Deus estão presentes, como
servidores e testemunhas. Os tronos mencionados no texto não são os de governos
terrestres, mas tronos do juízo. São abertos os livros que contêm o registro de
todos os atos da vida dos homens, e pelos quais deverão ser julgados.
Vs 11 e 12 “Então estive olhando, por causa da voz das
grandes palavras que provinha da ponta: estive olhando até que o animal foi
morto, e o seu corpo desfeito, e entregue para ser queimado pelo fogo. E,
quanto aos outros animais, foi-lhes tirado
o domínio; todavia foi-lhes dada prolongação de vida até certo espaço de
tempo.”
A
ponta pequena continua a proferir suas blasfêmias, e deter seus milhões de
adeptos nos laços de uma cega superstição, até que o animal seja entregue à
chama devoradora; e isto não representa sua conversão, mas sim destruição. (II
Tessalonicenses 2:8)
Vs. 13 e 14 – “Eu estava olhando nas minhas visões da
noite, e eis que vinha nas nuvens do céu Um como o Filho do homem; e dirigiu-Se ao Ancião de Dias, e O fizeram
chegar até Ele. E foi-Lhe dado domínio e a honra, e o reino, para que todos os
povos, nações e linguas O servissem: o Seu domínio é um domínio eterno, que não
passará, e o Seu reino o único que não será destruído.”
Na
presença do Ancião de Dias, dão-se a Cristo, o Filho do homem, um reino,
domínio e glória. Ele recebe o reino ao fim de Sua obra sacerdotal no
santuário. Os povos, nações e línguas que O hão de servir são as nações dos
salvos (Apocalípse 21:24), não as nações ímpias da Terra, pois estas são destruídas
por ocasião do segundo advento. Alguns de entre tôdas as nações, tribos e povos
da Terra, se encontrarão afinal no reino de Deus, para ali servi-Lo com
alegria, para sempre e sempre. (Apocalipse 5:9)
Vs. 15-18 – “Quanto a mim, Daniel, o meu espírito foi
abatido dentro do corpo, e as visões da minha cabeça me espantavam. Cheguei-me
a um dos que estavam perto, e pedi-lhe a verdade acerca de tudo isto. E êle me
disse, fêz-me saber a interpretação das coisas. Êsses grandes animais, que são
quatro, são quatro reis, que se levantarão da Terra. Mas os santos do Altíssimo
receberão o reino, e possuirão o reino para todo o sempre, e de eternidade em
eternidade.”
Vimos
acompanhando o profeta através do curso de acontecimentos, até à completa
destruição do quarto e último animal e a subversão final de todos os governos
terrestres. Que se seguirá? Os santos recebem o reino e possuem-no para sempre.
Vs. 19 e 20 – “Então tive desejo de conhecer a verdade a
respeito do quarto animal que era diferente de todos os outros, muito terrível
, cujos dentes eram de ferro, e as suas unhas de metal; que devorava, fazia em
pedaços e pisava a pés o que sobrava; e também das dez pontas que tinha na
cabeça, e da outra que subia, de diante da qual caíram três, daquela ponta,
digo, que tinha olhos, e uma bôca que falava grandiosamente, cujo parecer era
mais firme do que o das suas companheiras.”
Dos
primeiros três animais dessa série, Daniel tinha uma compreensão tão clara que
não nutria dúvidas quanto a êles. Mas ficou perturbado em relação ao quarto
animal, tão terrível e descomunal. Tudo isso se afigurava maravilhoso ao
profeta, mas eis que surge uma coisa ainda mais maravilhosa: a pequena ponta,
que ao surgir arranca três dentre as dez. Essa ponta tem olhos-os inteligente,
perspicazes olhos humanos. Tem também bôca, a qual profere palavras soberbas e
arrogantes pretensões.
Vs 21 e 22 – “Eu olhava, e eis que esta ponta fazia
guerra contra os santos, e os vencia. Até que veio o Ancião de Dias, e foi dado
juízo aos santos do Altíssimo; e chegou o tempo em que os santos possuíram o
reino.”
Daniel
viu essa ponta mover guerra aos santos. Tem-se verificado isto quanto ao
papado? Que respondam cinquenta milhões de mártires. Vêde as cruéis
perseguições do papado contra os valdenses, os albigenses, os protestantes em
geral.
Vs 23 – 25 “Disse assim: O quarto animal será o quarto
reino da Terra, o qual será diferente de todos os reinos: e devorará tôda
Terra, e a pisará aos pés, e a fará em pedaços. E, quanto às dez pontas,
daquele mesmo reino se levantarão dez reis; e depois dêles se levantará outro,
o qual será diferente dos primeiros, e abaterá as três reis. E proferirá
palavras contra o Altíssimo, e destruirá os santos do Altíssimo, e cuidará em
mudar os tempos e a lei, e êles serão entregues na sua mão por um tempo, e
tempos, e metade dum tempo.”
Notemos
atentamente a discriminação do quarto animal, suas dez pontas e a ponta
pequena:
1 –
O quarto animal. Este representa o
quarto império universal, que foi Roma.
2 –
As dez pontas. Entre os anos 531 e
476 ªD, o Império Romano foi dividido em dez reinos, como já observamos nos
comentários do versículo 8. Portanto, as dez pontas são dez reis, ou reinos,
que surgem dentre o Império Romano.
3 – A ponta pequena. Terá de admitir-se
que surgiu um poder que responde com grande exatidão às especificações dessa
ponta, e que êsse poder é o papado. Profere palavras contra o Altíssimo,
destrói os santos. A mesma descição nos é dada em Apocalípse 13: 6 e 7. “E
abriu a sua bôca em blasfêmias contra Deus, para blasfemar do Seu nome, e do
Seu tabernáculo, e dos que habitam no Céu. E foi-lhe permitido fazer guerra aos
santos.” São Paulo, denomina ao mesmo poder “o filho da perdição; o qual se
opõe, e se levanta contra tudo que se
chama Deus.” II Tessalonicenses 2:3 e 4. Diz-se dêsse poder que há de cuidar
“em mudar os tempos e a lei”. Que lei ?
e que tempos? Os tempos e a Lei do Altíssimo, o mesmo Ser ao qual
pertencem os santos. E porventura o papado tentou isso ? - Sim, até isso. Lançou mão do quarto
mandamento, removeu do seu lugar o Sábado de Jeová, o único memorial do grande
Deus dado ao homem, colocando em seu lugar uma instituição rival, para servir a
outro fim. Não só mudou o dia de observância, mas também o tempo de começar o
dia. Mudou, pois, os tempos designados por Deus assim como Sua Lei.
4 –
Por quanto tempo deviam os santos ser entregues nas mãos dêsse poder? “Um
tempo” (Daniel 4:23) é um ano; “tempos”, dois anos e “metade dum tempo,” meio
ano. Temos, pois, três anos e meio como prazo concedido ao domínio dêsse
poder. Ora, devemos considerar que tratamos
de profecias simbólicas; logo, êsse prazo de tempo não é literal mas profético.
Surge então a pergunta: Que extensão tem
o período representado pelos tres anos e meio de tempo profético? A única
fórmula que nos dá a Bíblia estabelece que, quando um dia é empregado como
símbolo, vale por um ano. (Ezequiel 4:6 e Números 14:34) O ano judaico, que
deve ser tomado como base do cálculo, era de trezentos e sessenta dias. Três
anos e meio perfazem mil, duzentos e sessenta dias. Valendo um dia um ano,
temo, pois, mil, duzentos e sessenta anos como tempo da supremacia da ponta
pequena. Dominou o papado êste prazo? -
A resposta será de nôvo: Sim.
O
edito do imperador Justiniano, datado de 533 ªD., constituiu o bispo de Roma
como cabeça de tôdas as igrejas. Mas êste edito só pôde entrar em efeito quando
os arianos ostrogodos, a últimas das três pontas arrancadas para dar lugar ao
papado, foram expulsos de Roma, e isso só se deu em 538. Daí em diante o papado
exerceu a supremacia exatamente por mil, duzentos e sessenta anos.
V 26 – “Mas o juízo estabelecer-se-á, e eles tirarão o
seu domínio, para o destruir e para desfazer até o fim.”
No
final dêsse longo período de seu blasfemo e sangrento domínio, chegará o tempo
para se cumprirem as palavras proféticas de Apocalipse 13:10 “Se alguém leva em
cativeiro, em cativeiro irá: se alguém matar à espada, necessário é que à
espada seja morto.” Acrescentem-se a 538 ªD. (a data do princípio dêsse período
profético), os 1260 anos, e eis-nos em 1798, quando Berthier, general francês,
entrou em Roma, proclamou a república e levou prisioneiro o papa, desferindo
assim ao papado um ferimento mortal. (Apocalípse 13:3)
Vs 27 e 28 – “E o reino, e o domínio, e a majestade dos
reinos debaixo de todo o céu serão dados ao povo dos santos do Altíssimo: o Seu
reino será um reino eterno, e todos os domínios O servirão, e Lhe obedecerão.
Aqui findou a visão. Quanto a mim, Daniel, os meus pensamentos muito me
espantavam, e mudou-se em mim o meu semblante; mas guardei estas coisas no meu
coração.”
Ora,
vejamos agora em que ponto da cadeia profética nos achamos. Passamos já o leão-
Babilônia. Passamos também o urso com as três costelas na bôca. O leopardo com
quatro asas e outras tantas cabeças passou também. Vimos já o terrível e
espantoso animal com dez pontas. A ponta pequena já cumpriu o versículo 25, e
seu domínio já se lhe tirou. (V.26) Que virá em seguida? - um breve período de triunfo para o animal,
e então a vinda do Senhor em glória para levar os Seus para a Santa Cidade. O
fim está proximo. Leitor, estás preparado para o alvorecer dêsse dia?
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