A ORIGEM DA OBSERVÂNCIA DO DOMINGO
Figuras de destaque no mundo
religioso, bem como historiadores, concordam em geral que seja o sétimo dia o único dia de guarda
das Santas Escrituras; todavia a grande maioria do mundo cristão observa o
domingo. Como, quando, e por quem teve lugar a mudança? A profecia bíblica
dá-nos, em resposta, valiosas informações. Vinte séculos atrás, o Deus do Céu
deu a Daniel uma visão do aparecimento e queda de grandes impérios – Babilônia,
Medo-Pérsia, Grécia e Roma – e também da Igreja Romana, que viria a dominar na
cidade das sete colinas. Dessa igreja foi predito; “Proferirá palavras contra o Altíssimo, e
destruirá os santos do Altíssimo, e cuidará em mudar os tempos e a lei.” Também
o apóstolo Paulo delineou o futuro desse poder religioso: “Não será assim sem
que antes venha a apostasia, e se manifeste o homem do pecado, o filho da
perdição; o qual se opõe e se levanta contra tudo que se chama Deus, ou se adora;
de sorte que assentará como Deus no templo de Deus, querendo parecer Deus.” II
Tessalonicences, cap. 2 vs. 2 – 4.
Essas notáveis profecias
foram exatamente cumpridas no erguimento e desenvolvimento da Igreja Romana.
Pouco a pouco, durante séculos, muitas heresias se insinuaram na crença e
observância, entre as quais o culto das imagens, a veneração de relíquias, as
orações aos santos, o batismo de crianças, a aspersão em lugar da imersão, a
doutrina do purgatório para atemorizar os crédulos, a glorificação de Maria, a
colocação da tradição em lugar da Escritura, de um homem em lugar de Deus
(papa), da penitência em lugar do arrependimento, das obras em lugar da fé, e
do domingo em lugar do sábado do sétimo dia.
Lembrar-se-á de que a nação
judaica foi destruída no ano 70 depois de Cristo, e os judeus eram tidos em
desprezo através do Império Romano; de modo que os cristãos buscavam
distinguir-se positivamente dos judeus, parecendo-se com eles o menos possível.
Demais, em seu esforço de conciliar seus vizinhos pagãos e os ganhar para o
cristianismo, fácil era aos cristãos transigir. Daí, o sábado do sétimo dia,
tido em estima pelos judeus, encontrava poderoso rival no popular domingo
pagão; e, durante algum tempo, ambos os dias foram mais ou menos tidos em
consideração por grande número de professos cristãos.
Isso nos lega à “manchada
origem” da observância do primeiro dia, origem que se estende a milhares de
anos antes do advento de Cristo. O domingo, segundo Webster, “chamado assim
(dia do Sol), porque era antigamente dedicado ao Sol ou a seu culto.” Diz o
historiador: “Ao dia dedicado à adoração especial do ídolo Sol, eles deram o nome de dia do Sol
(designação que ainda hoje encontramos em várias línguas, como Sundey – Sun –
Sol , e Day – dia, do inglês; e Sonntag – sonn – Sol e tag – dia, no alemão.” –
Verstegan’s Antiquities, pág. 68.
Uma revista inglesa
classifica o domingo como “ o selvagem feriado solar de todos os tempos
pagãos”, e defende a introdução dessa festa pagã na igreja cristã, dizendo “Esse
mesmo dia era o dia do Sol de seus vizinhos pagãos, e respectivos compatriotas;
e o patriotismo de boa vontade deu a mão à conveniência para fazer desse dia o
dia do Senhor, e o sábado deles.” -
North British Review, vol. 18, pág. 409.
O Sr. Chafie, crérigo da
Igreja Anglicana, declara explicitamente que o temor do “desprezo, da zombaria
e do escárnio”, da parte dos pagãos, levou os primitivos cristãos a desprezar o
sábado bíblico em favor do festival do domingo.
Semelhantemente o imperador Constantino exerceu
sua poderosa influência para promover a transferência do culto do sábado para o
domingo, promulgando no ano 321 AD a
primeira lei dominical que dizia o seguinte: “ Todos os juízes e moradores de cidades e todos operários devem
descansar no dia venerável do Sol. Àqueles,porem, que habitam nos campos,
conceda-se plena liberdade para exercer a lavoura, visto suceder muitas vezes
não haver dia mais apropriado para a semeadura de cereais e muda de
plantas, para que não passe o momento crítico e o homem venha a ficar privado
das bênçãos que Deus concede.” – Edito de 7 de Março de 321, AD,
Corpus Juris Civilis Cord., Liv. 3, Tit. 12,3.
A genealogia da observância
do domingo cristão não é fornecida pela Palavra de Deus, mas pelos duvidosos
escritos dos Pais da Igreja. Disse Eusébio, padre e historiador do quarto
século depois de Cristo: “Tudo que
constituía dever praticar no sábado, nós os transferimos para o dia do Senhor
(domingo).”
Sir William Domville declara
igualmente: “Passaram-se séculos da era
cristã antes de o domingo haver sido
observado pela igreja cristã como dia de repouso. A História não nos fornece
uma única prova ou indicação de que ele houvesse sido assim observado em
qualquer tempo anterior ao edito sabático de Constantino, em 321 AD”.
Diz D.Duarte Leopoldo: “Se
devemos repelir a Tradição, e aceitar somente o que está na Bíblia, como dizer
os protestantes, por que aceitam eles a santificação do domingo, o batismo das
crianças, e outras práticas que não constam da Escritura Sagrada?” – Concordâncias
dos Santos Evangelhos, pág. 146.
Secunda o padre Dehaut: “O
sábado, precedeu até a lei de Moisés; é tão antigo como o mundo, foi
estabelecido pelo próprio Deus lá no princípio; ora, só Deus pode desfazer o
que estabeleceu: só Deus é o Senhor do sábado e atribuir-se esse título é
atribuir-se a própria natureza divina.” – O Evangelho Explicado, Vol. 2, pág.
188.
“A instituição do domingo
como dia de guarda,” diz o Ver. A. Teixeira Gueiros, “além da praxe longa,
constante e ininterrupta do sábado como dia de repouso, teve contra si a
própria lei mosaica que estabeleceu o sábado. Leve-se em conta que, sobre
insurgir-se conta a lei do sábado e a prática desse dia de descanso, o domingo
não logrou o favor de um preceito de Jesus, instituindo-o, o que lhe valeria,
com certeza, a adesão pelo menos, da parte daqueles que fossem jurando a bandeira do Mestre.
E, como é sabido, até ao
momento de Seu retorno ao seio do Pai, esse mandamento ainda não havia sido
proferido... Antes de nada, diga-se com toda a franqueza, que não há nenhum
mandamento expresso no Novo Testamento, impondo a guarda do domingo.” – A
Questão do Sábado ou ou Dia de Descanso para Hoje, pág. 27-28.
A Igreja Romana assume a
plena responsabilidade e honra desta mudança, segundo revelam as seguintes
declarações de vozes autorizadas da mesma igreja:
Padre Júlio Maria: “Nós,
católicos, romanos, guardamos o domingo, em lembrança da ressurreição de
Cristo, e por ordem do chefe da nossa Igreja, que preceituou tal ordem, pelo
fato do sábado ser do Antigo Testamento, e não obrigar mais no Nôvo Testamento .”
– Ataques Protestantes, pág. 81.
Cônego Hugo Bressane de
Araujo: Pergunta: “Que dia da
semana a Bíblia manda santificar?” Resposta: “O sábado.Eis as passagens da Bíblia: (o autor cita a seguir Exodo 20:8-11,
31:14-15; Deuterenômio 5:12-14. Pergunta: “Mas a Bíblia manda observar o
domingo em vez do sábado?” Resposta:
“Não”. Pergunta: “Quem mudou o
dia do Senhor de sábado para domingo?” Resposta: “A Igreja
Católica.” Pergunta: “Mas os
protestantes observam o descanso do domingo.”
Resposta: “Então, neste ponto seguem a tradição católica.”
Padre Etienne Ignace Brasil:
“O Decálogo preceitua guardar os sábados e não os domingos. É a Igreja... que
transmudou os dias.” – O Culto das Imagens, pág. 45.
Uma publicação paroquial: “A
observância do domingo... não só não tem fundamento na Bíblia, mas que está em
contradição flagrante com a letra da Bíblia, que prescreve o descanso do
sábado. Foi a Igreja Católica que, por autoridade de Jesus Cristo, transferiu
esse descanso para o domingo, em memória da ressureição do nosso Senhor.” - Monitor Paroquial, Socorro, 26-06-1926, Ano
1, nr.8
Quatro vezes na Bíblia o
Senhor chama expressamente o sábado do sétimo dia Seu sinal, ou selo. Exodo,
cap. 31, VS, 12-17; Ezequiel, cap. 20, VS-13-20. Salientando-se em oposição a isso,
observai as seguintes palavras de um autorizado catecismo católico, romano: “P-
Como podeis provar que a igreja possui poder de ordenar festas e dias
santos? R- Pelo próprio ato de mudar o
dia de descanso para o domingo, o que todos os protestantes admitem e,
portanto, eles se contradizem positivamente, observando estritamente o domingo,
e violando a maioria dos outros dias de
festa ordenados pela mesma igreja. P-
Como provais isso? R – Porque, guardando
o domingo, reconhecem o poder que a igreja tem de ordenar dias de festa,
impondo-os sob pena de pecado.” An
Abridgement of the Crhistian Doctrine, pág. 581
A Igreja Católica, portanto,
instituiu a observância do domingo em sinal de seu poder, em lugar do sétimo
dia, que é o sinal ou selo do poder de Deus, como Criador.
Através da chamada era escura
ou idade média, nos países dominados pela Igreja de Roma a observância do
domingo tornou-se quase universal; todavia, a História demonstra que, em todas
as gerações, houve fiéis testemunhas do sábado do sétimo dia. Entre eles,
podem-se mencionar os cristãos da Abissínia, da antiga Bretanha sob os esforços
de Columba, os nestorianos da China, os valdenses e albigenses, cristãos no sul
da India, das Indias Neerlandesas, na Rússia, na Pérsia, na Síria, na Suécia,
na Alemanha, na Polônia, na Áustria, na Turquia e nos dias coloniais do Rhode
Island. Muitos destes sofreram as mais cruéis perseguições, descendo ao
sepulcro do martírio de preferência a ceder sua preciosa herança como
observadores do sábado. Hoje em dia o chamado para a observância do sábado está
soando em muitas terras, e muitas almas se estão firmando no dia de repouso
verdadeiro e original, cuja nobre ascendência remonta, através de reformadores
e apóstolos, patriarcas e profetas, à própria aurora da criação.
Provem-se todas as coisas
pela guia infalível da Santa Escritura. Mediante a mais cuidadosa e exaustiva
busca, verifica-se que o domingo, o filho ilegal do antigo paganismo, é
estranho aos ensinos da Bíblia, é um usurpador e um falsário, e não possui
direito algum a um lugar na linhagem apostólica.
A questão do dia de repouso é
uma das últimas grandes provas, pela qual os homens decidem seu destino eterno.
Não é uma questão de dias, mas de obediência ou desobediência. A quem seguireis – a Cristo, ou à
tradição? Oxalá ouçamos nós a chamada, e
sejamos achados ente aqueles de quem está escrito: “Aquí estão os que guardam
os mandamentos de Deus e a fé de Jesus.” Apocalipse.
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